quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O dia do rock - especial SWU 2011

Cobertura- Eliane Almeida & Luiz Plácido

Nada como o bom e velho rock’ n ’roll, nem mesmo a chuva foi capaz de desanimar os fãs do estilo que munidos de capas de chuva e tênis cobertos de lama, seguiam de um lado para o outro a fim de curtir os shows distribuídos entre os palcos, consciência e energia.



Black Rebel Motorcycle Club (foto divulgação Pedro Carrilho)



Black Rebel Motorcycle Club

Neste último dia de festival, nossa cobertura começa com os californianos do Black Rebel Motorcycle Club, banda está lançada no começo dos anos 2000. Liderados pelo baixista Robert Levon, Peter Hayes (guitarra) e Leah Shapiro (bateria), o grupo que é conhecido por ser uma das novas bandas a ter uma mulher na bateria e pelo seu som denso.

O grupo foi o terceiro a tocar em um dos palcos principais do evento, o Energia. A escolha de seu setlist buscou agradar aos fãs, começando 666 Conductor e Berlin além de Love Burns, Weapon of Choice, Spread the Love ,Whatever Happened to My Rock’n’Roll, Stop e Ain’t No Easy Way.

No final da apresentação Peter Hayes, desceu do palco Energia é foi até a grade onde fez um grande solo junto ao público. Este foi o primeiro show no Brasil desta banda californiana, um show de guitarras altas e baixo elétrico distorcido.



Black Rebel Motorcycle Club (foto divulgação Pedro Carrilho)


Black Rebel Motorcycle Club (foto divulgação Pedro Carrilho)




Down (foto divulgação Marcos Hermes)

Down

Down, de Phil Anselmo, vocalista da extinta e saudosa banda Pantera, que é um ícone do rock pesado.
Abrindo com “Temptation” colocou todos os que estavam mais próximos do palco para pular e balançar a cabeça sem parar, os berros inconfundíveis de Phil levaram todos os fãs ao delírio, muitos ali que cresceram ouvindo Pantera, estavam ouvindo estes berros ao vivo pela primeira vez, inclusive no meio do show o carismático vocalista chamou a atenção da banda para um fã no meio do público que tinha Pantera tatuado no peito, rolou até uma palhinha de “Walk” hit da antiga banda de Phil Anselmo, a partir daí, foram mais dez pauladas passando por “Rehab”, “Lossing All” e “Eyes”, entre outras.
A banda fechou a apresentação no palco Consciência com “Bury me in smoke”, que contou com a presença de Duff McKagan, ex Guns N' Roses, com certeza banda e público saíram satisfeitos, estava estampado no rosto de cada um, inclusive antes de sair do palco, Phil agradeceu ao público e disse que aquela era a primeira turnê da banda pela América do Sul e que aquele tinha sido disparado, o melhor show de todos, que está alegria renda mais visitas da banda ao Brasil.



Down (foto Luiz Plácido)




Phil Anselmo & Duff McKagan (foto divulgação Marcos Hermes)


Setlist:
Temptation – Lifer – Pillars – Rehab – Hail – Underneath – Losing All – Swan Song – Eyes – Stone – Bury me in Smoke.



311 (foto divulgação Pedro Carrilho)



311


Venerada nos Estados Unidos e Japão, pouco conhecida na Europa e resto do mundo e pela primeira vez em solo brasileiro, este é o 311 (pronuncia-se "three eleven"), uma banda americana que mistura uma enorme variedade de estilos musicais que têm como base o rock alternativo, misturado com rap, funk, ska e reggae.
Mesmo sendo considerada como uma das primeiras bandas a influenciar o New Metal, o 311 que já conta com doze anos de estrada e onze álbuns de estúdio lançados, parecia meio perdida no cartaz do dia o que provocou duas reações distintas por parte do público, uma parte recebeu a banda com estranheza, já que estava ali para ouvir som pesado e não pitadas de reggae, enquanto que a outra, composta pelos fãs da banda, se deliciavam em frente ao palco com a primeira visita do grupo ao país.
“Beautiful Disaster” abriu a passagem do 311 pelo SWU, seguida de “Sick Tight”, “All Mixed Up” e o hit “Come Original”, a esta hora do show, grande parte do público que houvera recebido a banda com estranheza já pulava ao lado dos fãs. Mesclando músicas mais calmas com outras mais agitadas, o show teve como ponto alto a música “Applied Science”, que conta
com um solo do baterista Chad Sexton, a canção contou com a ajuda dos demais integrantes, que munidos de surdos, fizeram uma grande batucada no melhor estilo “brazuca”.
Já na parte final do show, mais três hits seguidos, “Feels so Good”, “Creatures”, e para fechar com chave de ouro, visivelmente contente com a reação do público, o sempre simpático e alegre vocalista de 41 anos com cara de menino, Nick Hexum, dedicou a última canção aos fãs mais antigos que esperaram tanto tempo pela primeira visita, "esta é para vocês que esperaram tanto tempo pela vinda do 311 ao Brasil", disse Nick antes de soarem os acordes de “Down”, a música de maior sucesso da banda.


311 (foto divulgação Pedro Carrilho)




311 (foto divulgação Pedro Carrilho)




Setlist:
Beautiful Disaster – Sick Tight – All Mixed Up – Come Original – What Was I Thinking – Homebrew – Applied Science - Freeze Time – Jackpot – Amber – Wild Nights – Feel so Good – Creatures – Down.



Sonic Youth (foto divulgação Marcos Hermes)


Sonic Youth



De volta ao palco Consciência era chegada a hora de um velho ícone do rock alternativo subir ao palco e um ar de apreensão pairava no ar, existiam rumores de que aquele seria o último show da banda Sonic Youth.
Formada no ano de 1981, em Nova Iorque, a banda que ficou conhecida pelo seu estilo peculiar e criativo com base no “faça você mesmo”, possuía até pouco tempo atrás uma outra peculiaridade, o atual vocalista e guitarrista Thurston Moore, era casado com a vocalista e guitarrista Kim Gordon, e a separação dos dois na vida conjugal fez crescer os boatos de que a separação também acabaria decretando o final da lendária banda.
Abusando sempre de diversos timbres de guitarra o Sonic Youth abriu o show com “Brave Men Run”, seguida de “DV69” e “Sacred Trickster”, foram vários os hits tocados ao longo de um show digno de despedida, Kim Gordon esbanjava vontade ao longo dos seus 58 anos.
Já no final do show depois de tocar “Sugar Kane”, o vocalista Thurston Moore, antes de tocar a última música da noite disse sorridente, “Mal posso esperar para vê-los novamente”, o que deu a entender que a vida conjugal não irá atrapalhar em nada a vida musical do Sonic Youth, aliviados, os fãs curtiram e cantaram “Teenage Riot”, que fechou depois de alguns longos minutos de insanidade musical traduzida em barulho e microfonia, quem sabe, o primeiro de muitos shows da banda aqui no Brasil.


Sonic Youth (foto divulgação Caroline Bittercourt)


Sonic Youth (foto divulgação Caroline Bittercourt)



Sonic Youth (foto divulgação Marcos Hermes)


Setlist:
Brave Men Run – DV69 – Sacred Trickster – Calming the Snake – Mote – Cross the Breeze – Schiz – Drunken – Starfield Road – Sugar Kane – Teenage Riot.


Primus (foto Luiz Plácido)

Primus

O trio que em breve fará trinta anos de estrada é liderado pelo baixista Les Claypool, considerado um dos melhores do mundo, seu virtuosismo pouco ou quase nada tem de exibicionismo, tudo faz parte das melodias e harmonias das músicas, as vezes fica difícil de entender como ele consegue fazer tudo aquilo com o baixo e ainda cantar, sua performance já vale o show.
Com dois astronautas gigantes ao fundo, "Those damned blue-collar tweekers" e "Duchess and the proverbial mind spread" abriram o show que vez ou outra contava com algumas sessões de psicodelia, simpático Claypool interagiu com o público que pulou e dançou bastante com as músicas da banda, até aqueles mais novos que estavam lá para ouvir sons mais pesados entraram no clima, "Wynona's Big Brown Beaver" com os simpáticos gritos típicos de cowboy animou até os mais tímidos e contidos.
Já com todos a volta do palco Energia envolvidos "Jerry Was a Race Car Driver" e “Harold of the Rocks” fecharam o épico concerto da banda que com certeza agradou e muito aos fãs mais antigos e conquistou outros tantos novos que nunca tinham ouvido falar da banda, a veterana Primus para aqueles que não a conheciam, foi uma das boas surpresas do festival.


Primus (foto Luiz Plácido)



Primus (foto Luiz Plácido)

Setlist:
Those damned blue-collar tweekers – Duchess and the proverbial mind spread – Squirrel – Wynona's Big Brown Beaver – Jilly´s on Smack – Falls – Lee Van Cleef – Jerry Was a Race Car Driver – Harold of the Rocks.


Megadeth (foto divulgação Marcos Hermes)


Megadeth

Força, eficiência e excelência é com essas três palavras que podemos definir o show heavy metal da banda Megadeth. Uma apresentação incontestável em todos os sentidos, recheada de sucessos da banda.

No ano passado, a banda veio ao Brasil na turnê dos 20 anos de Rust In Peace, um dos álbuns mais impactantes deste grupo liderado por Dave Mustaine. A banda desembarcou no SWU com seu álbum TH1RT3EN praticamente saído do forno, com os sons de Whose Life (Is It Anyways?) e Public Enemy No.1, álbum este sucessor do elogiado e comentado Endgame(2009).

Mas enganasse quem achou que os caras esqueceriam-se de seus clássicos nesta segunda-feira(14), a prova disso foi com Trust, de Cryptic Writings (1997), sons que abrirão a apresentação da banda, além de Sweating Bullets, de Countdown To Extinction (1992), Holy Wars... The Punishment Due, de Rust In Peace. Mustaine não é só o líder da banda, e sim o cara com uma postura discreta que conta em seus vocais rasgados e em suas linhas de guitarras minuciosas música a música causando êxtase ao público presente ao lado do baixista Dave Ellefson, do guitarrista Chris Broderick e do baterista Shawn Drover.

Definitivamente Megadeth veio ao SWU, com louvor e postura de que somos o que somos não precisamos mais provar nada a ninguém.



Megadeth (foto divulgação Marcos Hermes)


Megadeth (foto divulgação Pedro Carrilho)


Megadeth (foto divulgação Marcos Hermes)


Megadeth (foto divulgação Pedro Carrilho)



Megadeth (foto divulgação Marcos Hermes)

Setlist:
Trust - Wake Up Dead- Hangar 18- A Tout Le Monde- Whose Life (Is It Anyways?),
Headcrusher - Public Enemy No. 1- Sweating Bullets- Symphony Of Destruction,
Peace Sells- Holy Wars... The Punishment Due.


Stone Temple Pilots (foto divulgação Flora Pimentel)


Stone Temple Pilots

A banda que já vendeu aproximadamente 40 milhões de discos no mundo todo, que já teve mais de quinze singles no Top 10 das paradas de rock da Billboard e que esteve no Brasil em 2010 na turnê de divulgação do seu último disco homónimo, não parecia estar muito empolgada com a apresentação no SWU.
Aparentemente desinteressado o Stone Temple Pilots, liderado pelo vocalista Scott Weiland, que mais olhava para as câmeras do que para o público abriu o show com “Crackerman”, seguidas de “Wicked Garden” e “Vasoline”. Só que nem mesmo o desinteresse e a chuva foram capazes de esfriar o ímpeto do público que contrastava com a banda cantando e pulando em todas as músicas do show.
Tudo começou a mudar quando a banda tocou o seu maior e mais premiado sucesso “Plush”, o refrão “And I feel it” que em português quer dizer: e eu sinto isso, foi entoado por milhares de vozes que fizeram a banda de fato sentir a emoção que vinha da platéia, o que fez com que o show melhorasse e muito.
A partir daí foram mais seis músicas com um outro Stone Temple Pilots no palco, mais vibrante e mais vivo, "Big Bang Baby", "Down" e"Sex Type Thing" empolgaram ainda mais e a chuva passou a ser até um mero detalhe para todos que acompanhavam a apresentação que terminou com "Trippin' on a Hole in a Paper Heart".
Talvez se a banda tivesse aberto com a “Plush” teríamos tido outro show muito mais empolgante por parte da banda do início ao fim, desta vez quem deu espetáculo foi o público.


Stone Temple Pilots (foto divulgação Willian Aguiar)

Stone Temple Pilots (foto divulgação Willian Aguiar)




Setlist:
Crackerman – Wicked Garden – Vasoline – Heaven & Hot Rods – Between the Lines – Hickory Dichotomy – Still Remains – Big Empty – Silvergun Superman – Plush – Interstate Love Song – Big Bang Baby – Down – Sex Type Thing – Dead & Bloated – Trippin' on a Hole in a Paper Heart.


Alice in Chains (foto divulgação Pedro Carrilho)


Alice in Chains


Encerrando as atividades no palco
Conciência, de baixo de muita chuva o Alice in Chains, banda liderada pelo guitarrista e também vocalista Jerry Cantrell, abriu o show com o hit “Them Bones” e foi mesclando músicas que fizeram sucesso ao longo dos 24 anos de carreira da banda com músicas do novo CD lançado em 2009, “Black Gives Way to Blue”, o ponto alto da primeira parte da apresentação foi com “Again” que fez o povo pular ao som dos gritinhos de “uhuu” “uhuu”.
O carismático vocalista, que também toca guitarra, William DuVall conversou bastante com a platéia e se esforçou para falar em português, conquistando a todos com o seu talento e simpatia, antes do show a desconfiança para com o novo vocalista era grande. O grupo, que houvera retomado as atividades em 2005, três anos após a morte do vocalista Layne Stanley por overdose de heroína, ainda não havia se apresentado no Brasil com a nova formação. A última apresentação havia sido a mais de vinte anos atrás, em 1993, no festival Hollywood Rock.
Foram ao todo 18 músicas que causaram as mais diferentes reações, desde a nova “Check My Brain” que mostra a personalidade de DuVall nos vocais e que fez todo mundo pular, até “Nutshell” dedicada ao vocalista morto e que arrancou lágrimas de muita gente.
No final do show uma sequência de fazer qualquer fã pirar, “Angry Chair”, “Main in the Box”, “Rooster”, “No Excuse” e “Wold?” uma atrás da outra, levaram ao delírio público e banda que visivelmente emocionada não deixou o palco sem rasgar elogios a todos que acompanharam o espetáculo na essência da palavra, DuVall exclamou: "Vocês são uma das platéias mais bonitas para as quais já tocamos" e o guitarrista Cantrell encerrou com os olhos brilhando: "Eu vou dizer uma coisa, vamos voltar muito em breve", com certeza todos que lá estiveram torcem por isso.


Alice in Chains (foto divulgação Pedro Carrilho)


Alice in Chains (foto divulgação Pedro Carrilho)


Alice in Chains (foto divulgação Pedro Carrilho)


Setlist:
Them Bones – Dam that River – Rain When I Die – Again – It Ain´t Like That – Check My Brain – Your Decision – Got me Wrong – We Die Young – Last of My Kind – Down In A Hole – Nutshell – Acid Bubble – Angry Chair – Main in The Box – Rooster – No Excuses – Would?.


Faith no More (foto divulgação Willian Aguiar)

Faith no More


Subiria ao palco Energia com meia hora de atraso para encerrar as festividades do SWU 2012 a banda mais esperada do festival, o Faith no More.

Com o palco todo estilizado no melhor estilo candomblé, com flores e predominância da cor branca, com os músicos vestidos a caráter e ao som de “Woodpecker”, o folclórico e abrasileirado vocalista Mike Patton surgiu no palco de bengala e chapéu, mancando como se fora uma espécie de pai de santo, o famoso popular “preto velho”, e tudo isso não por acaso, porque Patton estava mesmo endiabrado.
Ao longo do show Mike foi um espetáculo a parte, fazendo caras e bocas, berrando sem parar e agindo como cinegrafista, jogando-se no público onde tomou um banho de cerveja e também como maestro em “Just a Man” que contou com a participação do coral infantil de Heliópolis, o vocalista e líder da banda só não fez chover porque não precisou, mas causou lágrimas no público presente. “Out of Nowhere” e “Last Cup” deram seqüência ao show e antecederam uma das muitas conversas que o vocalista teve com o público, na primeira delas Patton perguntou: “E ai tudo bem? Mesmo com esse tempo de merda?” disse se referindo a chuva.
“Evidence” foi cantada em português, e depois de alguns hits, “Ashes to Ashes” e “Gentle Art” fecharam a primeira parte do show, na volta mais clássicos com “King for a day King for a life time”, “Epic” e “Just a Man”, antes de uma segunda e definitiva parada, isso porque ainda estavam previstas no set list mais duas músicas, “Stripsearch” e “We Care a Lot” que deveria fechar o show, mas que acabou nem sendo tocada devido a um erro a queima de fogos antes do tempo, enquanto a banda esperava para voltar ao palco, o que acabou forçando antes do tempo o fim do melhor show da noite.
Assim a segunda edição do SWU chegou ao fim, e por mais que tente diversificar os estilos com dias voltado ao hip hop e a outros gêneros musicais, a velha retórica sempre prevalece, nada como o bom e velho rock’ n ‘roll.


Faith no More (foto Luiz Plácido)


Faith no More (foto Luiz Plácido)


Faith no More (foto Luiz Plácido)


Faith no More (foto Luiz Plácido)


Faith no More (foto Luiz Plácido)


Faith no More (foto Luiz Plácido)



Faith no More (foto divulgação Willian Aguiar)



Setlist:
Woodpecker – Out of Nowhere – Last Cup – Caffeine – Evidence – Midlife – Cuckoo – Easy – Sailor – Ashes to Ashes – Gentle Art – King for a Day – Epic – Just a Man.

(Obs.Pedimos desculpas pela falta da cobertura dos shows de Raimundos e Duff McKagan. Mas devido ao mau tempo e transito só conseguimos chegar no final do show de Duff McKagan, por isso não consta o texto de ambas as apresentações.)

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