domingo, 31 de janeiro de 2010

Metallica é Orgulho, Paixão e Glória em São Paulo




Costábile Salzano Jr


São Paulo, 30 de janeiro de 2010. Uma data histórica para os fãs de Heavy Metal! O Metallica categoricamente se redimiu perante aos fãs brasileiros ao realizar um espetáculo repleto de clássicos e uma presença de palco devastadora. Sem contar, as longas juras de amor e a trégua de São Pedro que em definitivo comprovou que gosta de Heavy Metal deixando de despejar suas tempestades de 34 dias em sequencia justamente no dia do show...

Amor e Heavy Metal, para quem não conhece, podem parecer duas palavras dispares. No entanto, o que os fãs brasileiros e o Metallica realizaram, na noite do último sábado, dia 30 de janeiro de 2010, foi uma verdadeira declaração de matrimonio eterno.

Foram 11 longos anos pelos quais seus fies seguidores acompanharam cada momento de angustia, dificuldade e intrigas até a ressurreição da banda com o álbum Death Magnetic. O Metallica mostrou ao vivo diante do estádio do Morumbi praticamente lotado, que a vitalidade e a energia da banda está mais do que recarregada.

Antes mesmo de subir ao palco, Lars Ulrich (bateria), James Hetfield (vocal/guitarra), Kirk Hammett e Rob Trujillo (baixista), comprovaram a fidelidade e a devoção que os fãs brasileiros têm pelo grupo. A primeira prova foi a insana procura por ingressos, que se esgotaram logo que foram disponibilizados na internet, além da grande demanda de público por uma segunda data na cidade de São Paulo.

Outra grande prova eles tiveram pouco antes de entrar em cena. Diante da nata da imprensa brasileira, os norte-americanos foram surpreendidos ao receber um disco de ouro pela venda de 48 mil cópias do álbum Death Magnetic e DVD de platina duplo pelos 60 mil exemplares de "Orgulho, Paixão e Glória - 3 Noites no México". Visivelmente alegres, duas horas depois, eles subiriam no palco para agradecer este nobre prêmio.

Agora, os fãs sabem porquê foram contemplados com um set list tão devastador. (veja matéria da coletiva no final desta reportagem)

Sepultura
Assim como foi em 1.999, o Sepultura, maior representante do metal brasileiro até hoje, foi escalado para esquentar a galera. Ao entardecer, a trupe comandada pelo guitarrista Andreas Kisser, que este ano comemora 25 anos de uma vitoriosa carreira, subiu ao palco com a mesma garra de sempre só que um gostinho ainda maior: era a primeira vez que a banda tocava no estádio do Morumbi.

Para Andreas, tal realização não foi novidade, afinal ele foi um dos músicos convidados para participar do show do Nasi durante a abertura para o KISS, mas, com certeza, o sentimento para ele, Derreck Green (vocalista), Paulo Xisto (baixo) e Jean Dolabella (bateria) foi outro. Era a sua banda que estava ali, diante de uma multidão.

São-paulino fanático, ele não aguentou a emoção e disparou "O São Paulo é o maior time do Brasil e o Morumbi é o melhor estádio do País". Como era de se esperar, foi brevemente vaiado após essa declaração. Andreas foi cornetado até por Derreck, que apesar de americano, é torcedor assumido do Palmeiras, e por Xisto, que vestia camiseta do Atlético Mineiro, seu clube do coração. Porém, antes disso, ele agradeceu o apoio dos fãs: "O Sepultura está fazendo 25 anos e isso tudo só aconteceu por causa de vocês".

Em relação ao show, o grupo aproveitou a oportunidade para divulgar o novo álbum A-Lex, lançado em janeiro de 2009, para um público ainda maior em comparação ao festival Maquinaria. O repertório passou por boa parte das fases da banda, mas as músicas que fizeram a plateia vibrar foram as clássicas Refuse/Resist, Arise, Territory, Inner Self, Troops of Doom e Roots Bloody Roots.

Metallica: show começa assim que as luzes acendem
Assim que o Sepultura se despediu, todas as luzes do estádio foram acesas, deixando o público um tanto confuso, pois habitualmente as luzes se apagam. Porém, tudo isso tinha um motivo: preparar os fãs para uma entrada espetacular, ou seja, o show já havia começado, mas poucas pessoas haviam percebido. O ansiedade tomava conta dos fãs, que angustiados ficavam desesperados para que as luzes se apagassem logo.

Quando a enorme torre de iluminação que ficava de frente para o palco e a torre lateral se apagaram, única luz que pairava sob o estádio era da misteriosa e extraordinária lua cheia que se infiltrava em meio a escuridão. O fãs gritavam histéricos até que a famosa e tradicional introdução “The Ecstasy of Gold”, de Enio Morricone, ecoou pelos PAs do Morumbi. Em poucos segundos, o púbico explodiria com a triunfal Creeping Death.

James não conseguia disfarçar a alegria, sorria incessantemente e revelava que está sentindo a forte energia vinda de seus admiradores. O frontman pergunta se a galera está pronta, recebe um feedback efusivo e despeja, como era de se esperar, For Whom the Bell Tolls, mais um clássico do álbum Ride in the Lightning.

Até aquela altura tudo seguia conforme o esperado, até que então veio a primeira surpresa da noite com os primeiros riffs da poderosa The Four Horsemen, do debut Kill 'Em All. São Paulo estremece! A performance da banda parecia que haviam voltado no tempo. James lembrava aquele adolescente rebelde do inicio de carreira, Kirk não errou uma nota sequer no solo (algo raro antigamente), Lars esmurrava o seu belo kit de bateria e Rob segurava a bronca com maestria.

Definitivamente determinados a apagar a má impressão deixada pelo cancelamento da turnê em 2003 e também querendo mostrar gratidão pela excelente venda de seus mais recentes lançamentos no País, o Metallica brinda a galera com mais uma surpresa, Havester of Sorrow. Para deixar ainda mais os fãs satisfeitos, na continuidade, tocaram a clássica "balada" Fade to Black.

Com a galera satisfeita, totalmente aquecida, extasiada, com o jogo praticamente ganho e administrado, inteligentemente começam a divulgar as músicas do novo álbum Death Magnetic. A primeira foi That Was Just Your Life (única que esteve com o som embolado durante as duas horas de show) seguida por The End of the Line e o single The Day That Never Comes.

Mostrando a capacidade do grupo de mesclar as canções do seu disco mais recente com os hinos já consagrados de sua carreira, experientemente, inserem Sad But True, dedicada com um tom de voz meio sarcástico ao Sepultura. Em seu discurso, James comenta o que declarou durante a entrevista coletiva sobre a paixão que os fãs brasileiros sentem pelo Metallica. "É um prazer tocar com nossos amigos do Sepultura. Afinal, eles sabem que os brasileiros gostam de som pesado assim como nós. Vocês querem mais peso?”, incitou.

A galera definitivamente extrapolou durante Sad But True, cantada em uníssono, tanto que fez James retomar a conversa em relação a devoção e o fanatismo do público brasileiro. Antes de tocar uma das melhores composições do mais recente trabalho, Broken, Beat and Scarred, o frontman não poupa palavras para agradecer do que ele denominou de “A Família Metallica”. “Muito obrigado por nos apoiarem nos momentos mais difíceis e nos bons momentos como esse".

Tendo a prova de que suas novas músicas haviam sido bem recebidas, as luzes se apagam, por alguns segundos, não se ouvia um som emitido do palco até que os inconfundíveis efeitos sonoros de guerra. Chegara a hora de um dos momentos mais esperados, a clássica One, música esta que apresentou o Metallica ao mainstream a partir de um "polemico" videoclipe. As breves explosões por todo palco, lança-chamas, fumaça e fogos de artifício trouxeram todo aquele clima bélico ao palco fazendo a galera delirar.

Porém, os fãs mal sabiam que One era apenas um aperitivo para o que viria a seguir: a dupla devastadora Master of Puppets e Blackned, que também com efeitos pirotécnicos, cairam feito uma bomba atômica. Assim como em outras composições, vários moshs se abriram por toda pista do estádio tornando daquele espaço uma verdadeira celebração ao período que os fãs chamam de a melhor fase do Metallica

Fim da pancadaria, Kirk começa a brincar com sua guitarra com um timbre mais limpo, ou seja, mais uma "baladinha" estava por vir. Se seguíssemos o set list normal, a previsão era para Nothing Else Matters, porém, a levada que ele tocava parecia que a qualquer momento iria surpreender todo mundo e introduzir The Unforgiven, no entanto, foi Nothing Else Matters que veio para acalmar os ânimos e depois abrir alas para Enter Sandman. A música mais famosa da banda presente no multiplatinado Black Album, foi urrada em uníssono contou com as suas famosas explosões decretando o fim da primeira parte do show em grande estilo.

A banda deixa o palco, mas, provavelmente por estarem com a adrenalina em alta, o quarteto não demora muito para reencontrar seus fãs ávidos por mais clássicos. Assim como em todas as apresentações desta turnê, o bis tem inicio com uma sempre imprevisível homenagem a uma banda que inspirou o Metallica. Desta vez, a escolhida foi Stone Cold Crazy, do Queen.

Certamente com o objetivo de tornar aquela noite ainda mais inesquecivel e deixa-la equiparavel às suas outras tres passagem pelo Brasil, o Metallica mandou sem a minima piedade a devastadora Motorbreath, que há alguns shows nao executavam. Mais uma surpresa que nem mesmo o mais fanático poderia esperar.

Antes do manjado grand finale, Hetfield pede para que os holofotes do estádio se acendam. “Vocês passaram a noite inteira olhando para nós, os feiosos do Metallica, agora é a hora de a gente ver vocês”. Enquanto isso, o público se esgoelava pela sempre mais pedida Seek and Destroy. Porém, antes de começar a tocar o riff antológico, o vocalista brincou: "Vocês gostam dela? É porque a letra é fácil, né? Eu também gosto!". A música é berrada por todos, ecoado por todo o requintado bairro do Morumbi.

Finalizado o desfile de clássicos da 126° exibição da World Magnetic Tour, James, Kirk e Rob se dirigem a plateia e começam a jogar uma tempestade de palhetas personalizadas com o emblema do novo disco. A galera delira como se a banda estivesse tocando mais um clássico. Somente Lars economizou e jogou algumas baquetas para o público.

Após todo esse contato ainda mais direto com a galera, a banda permanece no palco e cada integrante agradece ao público por todo amor, carinho e fanatismo dedicado ao Metallica durante todos esses anos de carreira. "Vocês são ótimos fãs. Ficaram com a gente nos dias ruins e nos dias bons. Hoje foi um dia dos bons", disse James. "Espero que a gente não demore onze anos para voltar ao Brasil", complementou Lars.

A banda se despede após duas horas de uma performance intensa, espetacular. O Metallica provou que, apesar de todos problemas que passaram nos últimos anos, o grupo está forte, unido e, o mais importante de tudo, feliz. E essa felicidade transparece no palco e na hora de retribuir a energia aos apaixonados fãs brasileiros.

O repertório foi praticamente perfeito. É claro que faltaram composições do quilate de Whiplash, Disposable Heroes, Dyers Eve, Damage Inc. e muitas outras. Apesar de algumas músicas funcionarem bem ao vivo, os discos Load, Reload e St. Anger, que marcam a fase conturbada foram esquecidos literalmente.

A presença de palco é espetacular. James incrivelmente comprovou o que disse durante a coletiva que hoje são músicos melhores. Ele, que ao vivo não era considerado dos melhores, mostrou que está mandando muito bem. Sem contar, a energia avassaladora que ele passa enquanto toca.

Kirk so faltou atear fogo no seu instrumento. Ele é outro que demosntrou que está de volta aos tempos aureos. Antigamente, cometia algusn erros imperdoaveis, porém, desta vez, deu uma aula de como deve ser um guitarrista solo.

Lars é outro que mesmo atras da bateria parece que está na frente do palco. Suas caras e bocas, sua vibração enquanto toca sao um show a parte. É praticamente um gol de placa, que vale pagar outro ingresso.

Mesmo há pouco tempo no lineup, Rob Trujillo também nao se deixa ficar como mero coadjuvante. Além da experiencia de já ter tocado com Ozzy Osbourne, o cara mostrou que está mais do que entrosado. É um verdadeiro animal em cena. Caiu como uma luva na banda.

Vale a pena lembrar que, o Metallica não apela para o lado visual. O palco é simples, com telões em alta definição para que todos os espectadores, mesmo de longe, possam enxergá-los, deixando para impressionar seus fãs apenas com seu poder sonoro.

Para quem ficou tanto tempo longe, podemos considerar como um grande e forte abraço dos nossos "familiares".

Que me desculpem os devotos de Iron Maiden, KISS, Ozzy, Heaven and Hell, mas o Metallica é a maior banda de Heavy Metal do Mundo até depois de uma crise.


Set list São Paulo, dia 30 de janeiro de 2010
Creeping Death
For Whom The Bell Tolls
The Four Horsemen
Harvester of Sorrow
Fade to Black
That Was Just Your Life
The End of the Line
The Day That Never Comes
Sad But True
Broken, Beat and Scarred
One
Master of Puppets
Blackened
Nothing Else Matters
Enter Sandman
bis
Stone Cold Crazy (Queen cover)
Motorbreath
Seek and Destroy

Metallica recebe disco de ouro e DVD de platina antes de apresentação em SP















Costábile Salzano Jr


Quem diz que o Brasil não consome Heavy Metal só comprova que não sabe nada do riscado. Os norte-americanos do Metallica provaram, na tarde do último sábado, no auditório do estádio do Morumbi como este segmento musical é forte no País. O grupo recebeu disco de ouro em comemoração às 48 mil cópias vendidas do álbum Death Magnetic e DVD de platina duplo por ultrapassar a marca de 60 mil cópias de "Orgulho, Paixão e Glória - 3 Noites no México". Agora, os fãs não sabem porquê foram contemplados com um set list tão devastador naquela noite. Visivelmente surpreendidos e alegres, duas horas depois, eles subiriam no palco para agradecer este nobre prêmio.

A cerimônia de entrega do prêmio aconteceu diante dos mais importantes meios de comunicação do Brasil, que foram convocados para uma entrevista coletiva antes da primeira apresentação da banda na cidade.

Durante o encontro com os jornalistas, Lars Ulrich (bateria), James Hetfield (vocal/guitarra), Kirk Hammett (guitarra) e o novato Rob Trujillo (baixo), de começo, pareciam não muito a vontade, mas depois de alguns minutos, ficaram mais soltos e até foram sarcásticos em algumas respostas aos repórteres ao comentar sobre a emoção de voltar a tocar no Brasil após mais de uma década. "Esperamos muita paixão dos brasileiros. O bom é que agora essa paixão é composta por vários grupos de várias idades diferentes", disse James. "Após 11 anos, temos fãs mais jovens e também somos melhores músicos hoje", brincou o frontman.

Uma dos fatores mais curiosos desta turnê e tem deixado os fãs ansiosos é em relação ao repertório que não se repete de um show para o outro. "Temos entre 60 e 70 músicas ensaiadas, que podemos incluir no set ou não. Depende de nosso humor, depende do que tocamos na noite anterior, depende de como as estrelas estão alinhadas", descontraiu Lars. "Percebemos ao longo das turnês que ao repetir o set, a apresentações ficaram meio mecânicas", revelou o baterista.

Além disso, o músico não perdeu a chance para elogiar o público brasileiro. "Estar no Brasil é sempre demais. Me lembro do nosso show no Rio de Janeiro, a gente na praia, a energia da galera", recordou Lars. "Os brasileiros têm um nível de paixão intenso. As pessoas aqui não se envergonham de mostrar sua paixão pela banda", comentou o mentor da banda.

Rob Trujillo e Kirk Hammett foram os menos acionados, mas quando falaram deixaram de ser meros coadjuvantes. O baixista disse que as novas composições se casaram muito bem com as clássicas durante a apresentação. "Criamos um disco forte, pesado, rápido. Death Magnetic tem um sabor diferente, perfeitas para tocar ao vivo.

Já o guitarrista foi mais além. Ele alfinetou o ex-baixista Jason Newsted, que substituiu o lendário Cliff Burton, após trágica morte durante turnê em 1986. "Cliff era muito original e tocava o baixo com uma pegada parecida com a guitarra. Ele tinha um jeito muito único de tocar e sempre foi muito independente. Robert é técnica pura. Ele tem um repertório muito maior que nosso antigo baixista, que até é um cara legal, mas limitado", disparou Kirk.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O Blues do Rock






Por Eliane Almeida


De forma descontraída, os caras Milton Medusa (guitarra), Ronaldo Lobo (baixo) e Luis Pagoto (bateria) — o Medusa Trio — conseguiram agradar a gregos e troianos no início da semana passada. O trio, que nesta segunda (18/01) se apresentou em uma das tendas da orla da praia em Santos, conseguiu despertar a curiosidade de todos que passavam pelo local.

Com sucessos de bandas consagradas como The Police , Rolling Stones , Deep Purple, além de sons próprios, os caras também contaram com a participação de José Carlos P. Fortunato (gaita).

Para saber mais sobre o trabalho deles www.myspace.com/medusatrio.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

No Compasso Desta Dança







Por Eliane Almeida

Em sua festa de lançamento, neste último domingo, no centro de Santos, o projeto Coletivo Valsa http://valsa.art.br/, não deixou a desejar. O evento conseguiu reunir diferentes tribos da região, dando a oportunidade às pessoas de levarem um CD-R com seu som de preferência e conseguindo, assim, uma interação de seu público.

Além disso, o evento contou com a participação dos DJs Allan Fernandes, Débora Uemura, Daniel Barra, Fernando Schlaepfer, além do show da banda Zebra Zebra.

Banda esta que, em 2009, conseguiu, com o álbum Cabeças Novas Também Mofam, ser uma das bandas de rock hardcore mais comentadas no cenário independente nacional. O show dos rapazes não se limitou só ao seu repertório conhecido; contou também com musicas inéditas como Eu Mudo, Bonita e Não Sei, que em breve estarão disponíveis em seu próximo lançamento.

As próximas apresentações da Zebra Zebra serão na Outs em São Paulo dia quatro de fevereiro e no dia seis no Studio G em Santos. Para saber mais sobre o trabalho deles www.zebrazebra.com.br ou twitter.com/zebrazebra.